domingo, 5 de dezembro de 2010

Religião x Civilização // Fé x Atitude

      
      Por que é tão difícil conviver com o que foi criado por Deus e com o que foi criado pelo homem simultaneamente? Um não completa o outro, pelo contrário, se destroem, e também não deveria, já que a existência de cada um se justifica pela existência do outro. Como entender e aceitar a Deus e continuar vivendo nas chamadas civilizações em comunhão com tudo que destrói a Sua criação? Como entender e aceitar a sociedade e continuar vivendo a fé em Cristo sendo que essa mesma conivência e aceitação já lhe fazem um pecador? A definição melhor para toda essa falsa harmonia deveria ser hipocrisia ou resignação?
      Passamos a vida toda sendo ensinados a viver uma vida correta conforme os ensinamentos de Deus e Jesus Cristo e também como ser reconhecido e obter sucesso segundo as leis da sociedade e do capitalismo. Na minha forma de ver o mundo de hoje, não há espaço para as duas doutrinas, a não ser para os políticos ou aqueles que vivem cada qual em meios termos. Se fores seguir os ensinamentos do Pai, e seguir seus passos na humildade e na sabedoria, o melhor lugar seria mesmo a faculdade? E se fores seguir as leis da sociedade afim de obter o tão sonhado sucesso profissional, o melhor lugar seria mesmo a igreja?
      Vivemos em ciclos eternamente desconcertantes, até você realmente optar pelo seu caminho, a não ser que você não se importe em ter uma fé estremecida ou uma carreira mal-sucedida. Não que você não possa ter as duas coisas ao mesmo tempo, pode, mas em algum aspecto você estará se enganando. Ou você será um rico que finge seguir os preceitos de Deus, ou você será um pobre que finge ser bem sucedido.
      Sinto um enorme desconforto com essa situação, pois faço faculdade para ser um profissional de sucesso e fazer girar as engrenagens do capitalismo. Ao mesmo tempo, peço a Deus perdão pelos meus pecados, mas finjo que essa questão profissional não seja nenhum empecilho para os seus ensinamentos. Queria mesmo era ter nascido no campo e ter o trabalho de tirar da terra o meu sustento, mas como não sou filho de fazendeiro, nem isso eu tenho direito, ao menos que eu tenha dinheiro.
      Essas questões me assustam e me assolam, pois creio na minha fé e creio que como está não é o correto. Creio também que se eu fizer o que me parece certo, muitos irão me julgar como louco, e se eu fizer o que me parece viável, muitos me terão como hipócrita ou cético. Se Deus prevê a destruição de tudo que o homem criou, é que algo aí não está correto. Seja pela busca de todos pelo mesmo sucesso, seja pela comunhão com o capitalismo ou seja por todo resto indigesto. Por que precisamos esperar que Ele destrua tudo, através de nós mesmos, para entendermos o que é certo?

4 comentários:

  1. É o caos da Estamira. Tem o documentário completo no youtube, Rafa. Quando vc tiver um tempinho, assista. Um abraço apertado.

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  2. O caos, assim como os complexos, não se dão pelo fato deles existirem, mas sim no fato de tomarmos consciência deles, não é? O caminho que a Estamira encontrou para exteriorizar foi o que ela achou certo, mesmo que a vejam como uma louca. Eu também me identifico mais com essa vertende, mas com diretrizes e crenças diferentes. Ela abraça o caos como se fosse a mãe dele, causadora e conivente a ele. Eu de fato quero repudiá-lo e me entregar ao amor e a esperança, tal qual seu filho, e me fazer ferramenta dele, seja como um ouvido, como uma boca, como um olhar ou uma mente. Me sinto meio perdido em meio a esta transformação, mas acho que hei de me encontrar... De qualquer forma sou grato pelo ponto de vista Gabi! bjos

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  3. Que haja mesmo a esperança, Rafa! E que conseigamos renascer, filhos dela, todos os dias. É um jeito bem menos dolorido, mais bonito, embora não menos lírico, de tentar enxergar o mesmo caos.

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  4. Ai que lindo! Obrigado pelas belas palavras! Você é minha musa inspiradora, sabia? Tenho post novo no blog ^^ To a todo vapor!

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